segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mensagens sobre Romazzini

Tamanho de uma dor 
Romazzini sendo velado por sua mãe na Câmara
de Aparecida do Taboado, em Mato Grosso do Sul

O velho provérbio diz que uma imagem vale mil palavras? Por isso deve-se concluir que nesta sociedade atual, a realidade é mesmo essa, uma imagem vale mais que mil palavras.

Dada a evolução tecnológica das últimas décadas, onde criar imagens se faz num piscar de olhos, como o abrir e fechar de um “diafragma” e tudo pode ser criado para em determinados casos iludir o nosso maravilhoso sistema óptico.

A imagem acima por mais fria que possa parecer retrata o momento sem nenhum truque, não precisaria de nenhuma legenda para o seu entendimento, pois ela fala por si só. Impossível mensurar o tamanho da dor da mãe, seu rebento teve sua vida ceifada de forma covarde e vil, e da concluir que nem mil palavras seriam capaz de explicar o que passa por dentro de seu ser.

Para todas as doenças existem remédios, que curam ou amenizam a dor. Para a dor do amor, só o tempo, a sua vontade de viver. ‘A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos.

Daí a necessidade de escrever essas poucas linhas e aclarar a todos que o provérbio acima não cabe , por mais que num primeiro momento quando a informação chegou a essa mãe, e por essas coincidências maravilhosas da vida tem o nome de BENVINDA, abalando-a fortemente pois seu filho partiu invertendo a ordem natural dos acontecimentos.

O que todos presenciaram foi uma mulher extremamente forte, consoladora, buscando forças não se sabe onde, mesmo com o coração sangrando e acima de tudo sendo um porto seguro para os inúmeros familiares nesse momento em que enorme tempestade chegou sem avisar.

Um dia, todo mundo tem que atravessar por desertos. Neste momento, o ser humano descobre o que são fardos. Os fortes encontram a escada que os fará subir, enquanto os fracos se perdem em lamentações, buscando culpados. Hoje o deserto se faz presente, não importa, pois em algum canto dele você encontrará um oásis. Oásis são os amigos que não nos abandonam. São aquelas pessoas (des) conhecidas que se preocupam com o próximo. É a fé que todos possuem e renova a esperança.

A poeira vai baixar, a tempestade vai passar e, depois de tudo, o Sol, como sempre faz, vai brilhar para você, pois
“Ainda há muito o que plantar nessa vida...”
A luta continua companheiro.
Emanuel Bento
***

Pérolas de Romazzini

Antes de tudo, sinceramente, não acredito em investigação policial que busca apenas suspeitos. Todos que já estudaram procedimentos policiais, bem sabe que nenhuma linha da investigação deve ser descartada, por mais absurda que seja.

Bom! Mas o que me resta é torcer para que realmente, encontrem quem praticou tamanha covardia contra o serelepe vereador do PT.

Em sua homenagem, não podia deixar de registrar dois episódios hilários, deste que, indiscutivelmente, foi o melhor Vereador da Ilha de Santo Amaro, de todos os tempos.

Evidente que, a questão do silêncio dos cachorros que não latiram, na noite de crime chama muita atenção, porém o que ninguém sabe é que trata-se de dois vira latas que atendem pelo nome de Farid e Antonieta.

Vejam só! Somente Romazzini poderia colocar tais nomes em seus cachorros e, tenho a certeza que ele (Romazzini), jamais esperou proteção de Farid e Antonieta. Evidentemente que estou falando dos animais.

Outra que é demais vem de seu grande amigo Paulo Piasenti. Mesmo internado, Paulo nos confidenciou que quando Romazzini foi visitá-lo, lá pelas tantas, tocou o telefone, era sua esposa Juliana, chorando copiosamente, informa que ao afastar o carro da garagem tinha matado um gato, daí em diante seguiu um diálogo inesperado:
- Tá Ju... (impaciente)
- Tá Ju... (nervoso)
- Estou no hospital com o Paulo! Para de chorar Ju... Pare de chorar Ju.. Deixa eu conversar com o Paulo Ju. (exasperado)

Ele desliga o telefone e com ligeireza de pensamento que lhe era peculiar, instantaneamente retornou a ligação.

- Ju!! Já te falei. Para de chorar e acende uma velinha e reza um terço para gato. Gato é gente como a gente e também é filho de Deus. Beijos e tchau. (aliviado por ter resolvido problema)

Enfim, este era Romazzini, imprevisível, incisivo, humano, religioso, cômico por vezes, mas acima de tudo um ser humano extraordinário.
Wagner Santos
***
Lamentável crime

Nós comunistas do PCB acreditamos que é preciso intensa mobilização afim de combater o banditismo que há anos é regra para se fazer política no Guarujá. Apontamos para criação de um amplo movimento que exija justiça.
Odair Dias

NOTA DA REDAÇÃO
Recebemos várias manifestações de leitores, a respeito da morte brutal de Luis Carlos Romazzini, inclusive de representantes do parlamento, como a senadora eleita Martha Suplicy e o senador Aloísio Mercadante, às quais reproduziremos na medida do possível.

***
Ao encontro da paz merecida

Guarujá veste luto, morreu Luis Carlos Romazzini. Cumpriu-se inapelavelmente a inexorável trajetória da condição humana em sua caminhada terrena: viver, lutar, morrer. Romazzini cumpriu estas três etapas com altruísmo. Viveu com dignidade, lutou com as armas que dispunha e agora devolve sua alma generosa para Deus. Já se passaram vários dias do nosso último encontro, precisamente na Câmara Municipal da nossa cidade quando da prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde, a qual sempre comparecia. Com sua personalidade marcante, a todos impressionava com o seu linguajar inconfundível.

A inquietação sempre foi o seu traço característico. Conviver e ter sido respeitado por ele foi para mim um verdadeiro privilégio, assim como sempre o respeitei pela figura humana que foi. Lugares políticos onde não existam homens como este ou outros homônimos em espiritualidade e inteligência, podem estar condenados a estagnação, ao retrocesso ou ao desaparecimento. Guarujá lhe deve muito, principalmente por tudo que fez pelos mais necessitados. Se a grandeza do homem dependesse do dominar, ela seria acessível a poucos porque poucos podem dominar mas, como ela depende do servir e principalmente com espontaneidade, todos podem alcançar a grandeza que Romazzini alcançou porque não existe um único homem sobre a Terra que não possa servir. “Se algum dentre vós quiser ser grande, seja o servidor de todos.” Para mim você foi grande porque serviu espontaneamente. O vazio deixado por ele com sua voz clara, viva e cristalina, jamais será preenchida na história política de Guarujá. Peço a todos que saibam rezar que orem por ele.

Sua recompensa chegou prematuramente. Que o Céu te receba pelo que fizeste aqui na Terra principalmente aos mais humildes e necessitados. Vá em paz, seu espírito tem virtudes suficientes que o credenciam para também habitar uma das muitas moradias do Pai, e que Deus, na sua infinita misericórdia lhe conceda a paz eterna que tanto merece.
Augusto Bustamante é médico e Membro Titular da Sociedade Brasileira e Latino Americana de Ortopedia e Traumatologia

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Vereador Romazzini é morto e Guarujá lamenta sua perda

O vereador Luis Carlos Romazzini (PT) foi morto na madrugada da última sexta-feira (26) durante uma invasão à sua casa, localizada na avenida Mário Daige, no Jardim Conceiçãozinha, em Vicente de Carvalho. O assassinato de Romazzini foi seguido pela comoção de familiares, amigos e políticos da região, que manifestaram a tristeza pela trágica morte do vereador.

Na madrugada anterior (25), o vereador havia registrado um Boletim de Ocorrência na delegacia sede porque sua casa havia sido invadida e o portão da garagem e a porta de acesso à casa foram danificados. De acordo com o documento, Romazzini acordou com o barulho de pancadas na porta e foi verificar, mas não encontrou ninguém. Contudo, o invasor deixou as marcas dos pés pelo quintal. Segundo os amigos mais próximos, o vereador vinha recebendo ameaças.

Na sexta-feira, por volta da 1h30, a cena se repetiu, porém, desta vez Luis Carlos Romazzini foi chamado na porta pelos criminosos. A vítima, armada, desceu do primeiro andar da casa, onde sua esposa, Juliana, permaneceu, e foi até os suspeitos, que após discussão efetuaram diversos disparos contra o vereador, atingido na cabeça, ombro, abdômen e pernas. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Sua esposa não foi ferida. O caso está sendo investigado em sigilo pelo 1° Distrito Policial.

Investigações

O presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, quer uma rápida apuração do caso e solicita ao secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa acompanhe as investigações do assassinato do vereador e advogado. “Lamentamos profundamente a morte de mais um colega vítima de um crime bárbaro, que merece repúdio da advocacia e da sociedade. Esperamos do Poder Público rapidez na apuração deste crime e a prisão dos autores”, afirmou D´Urso.

O presidente da subseção do Guarujá, Frederico Gracia, manifestou seu pesar e lembrou que Romazzini “foi um advogado muito atuante e que sempre respeitou as prerrogativas profissionais. Enquanto legislador municipal, sempre teve compromisso com a verdade e a ética”.

O presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, conversou com o secretário de Estado da Segurança Pública para que os autores do assassinato sejam prontamente identificados. O senador Aloysio Mercadante também intercedeu e reivindicando que todos os esforços sejam mobilizados para levar à descoberta dos responsáveis e a aplicação das leis cabíveis.

Luto

A prefeitura de Guarujá decretou luto oficial de três dias e a chefe do Executivo, Maria Antonieta de Brito, ressaltou a necessidade de novas ações contra o crime. “Lamento profundamente o falecimento do vereador Luis Carlos Romazzini. Ele foi meu companheiro de partido e desenvolvemos, por isso, vínculos de amizade e de luta, durante anos. Neste momento, estamos solidários à família do vereador. Mas não mediremos esforços na busca por ações que mudem este histórico lamentável de crimes contra autoridades municipais, que a nossa cidade carrega”, disse.

A prefeita de Guarujá compareceu ao velório do vereador, assim como a prefeita de Cubatão, Márcia Rosa, deputados federais, estaduais, políticos da região e representantes do Poder Judiciário, além de um imenso público de amigos e companheiros.

A senadora eleita por São Paulo, Marta Suplicy, emitiu em nota oficial seu pesar pelo assassinato do político. “Lamento a morte de Luis Carlos Romazzini e venho me solidarizar com familiares, amigos e a comunidade do Guarujá, que ele representava como vereador. O momento é de luto e indignação. A sociedade exige a mais rápida apuração e detenção dos responsáveis.” A deputada estadual Maria Lúcia Prandi, indignada pelo assassinato do vereador, acompanhou de perto as ações das lideranças do seu partido (PT) em Guarujá, que reivindicam a imediata e rigorosa apuração dos fatos. “Era um companheiro guerreiro, aliado da população em suas lutas e rigoroso na defesa dos direitos sociais”, disse Prandi, lamentando a morte de Romazzini.

História
 
 Luis Carlos Romazzini, 45 anos, era advogado, professor e vereador. Ele foi suplente por duas vezes e vereador em duas legislaturas (14ª e 15ª), no legislativo desde 2005. Nas últimas eleições ele concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa, e recebeu 20.040 votos.

 A militância de Romazzini iniciou no movimento estudantil no inicio dos anos 90, com atuação em movimentos ambientalistas e na defesa de direitos coletivos. Seus planos para a população o fizeram ser eleito a vereador por Guarujá em 2004, onde reelegeu-se em 2008, com votação superior a anterior.

 O vereador, filho de Odalvo Romazzini, já falecido, e de Benvinda Pereira Romazzini, deixa esposa, Juliana Romazzini. O corpo de Romazzini seguiu para a cidade de Aparecida do Tabuado, em Mato Grosso do Sul, para ser sepultado ao lado de seu pai, conforme seu desejo manifestado ainda em vida.

Jornal do Guarujá - Sábado, 27 de novembro de 2010




Mensagens

 A morte de uma fonte confiável

Valdir Dias

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis
Bertold Brecht

Assim, dessa forma, lutando contra aquilo que considerava injusto, morreu na madrugada desta sexta-feira o vereador, professor e advogado Luis Carlos Romazzini, um autêntico ativista social e político, na visão das muitas autoridades e do público presente ao seu velório.

Como fosse um Don Quixote moderno, Romazzini tentava combater inimigos reais, não moinhos de vento, como os retratava em seu secular romance o escritor espanhol Miguel de Cervantes. Por vezes, Romazzini debruçava-se em números, em leis e em brechas legais para denunciar desmandos e irregularidades.
Por conta disso, era um peixe fora da água, em muitas oportunidades.

Para quem atua ou convive nas redações dos meios de comunicação, Romazzini era considerado uma fonte segura. Suas informações, invariavelmente, resultavam em importantes reportagens, razão pela qual gozava de prestígio e respeito, entre os jornalistas da região.

A nós, do Jornal do Guarujá, que aprendemos a conviver com seus repentes e manias, resta torcer para que ele consiga uma confortável cadeira no parlamento do céu, onde estará, com certeza, gritando contra algo que não concorde. Na terra, rezamos para que a apuração sobre sua morte tenha resultados e que suas bandeiras não sejam esquecidas. Jamais.
Valdir Dias é editor do Jornal do Guarujá
***

Réquiem para um amigo

Julio Cesar Ferreira

Sob a pena da truculência, escreveu-se mais uma página rubra de sangue e de vergonha, na história política de Guarujá.

Tombou Luis Carlos Romazzini. Advogado, professor e vereador atuante. Sentinela sempre alerta pelas causas sociais.

Os seis tiros que calaram a nossa voz mais intransigente e combativa atingiram em cheio o coração dos seus amigos e o sonho de uma sociedade mais ética, justa e igualitária.

O corpo de Romazzini vai descansar ao lado dos seus, mas o seu espírito militante continua entre nós, seus companheiros de ideais e lutas, que agora assumem o compromisso de manter bem alto e tremulante o estandarte, mesmo que ensangüentado, da Esperança e da Dignidade.
Julio Cesar Ferreira, em nome dos amigos de Romazzini
e de todos os homens de bem de Guarujá
***

Meu amigo Romazzini

Sidnei Aranha

Nunca pensei na minha vida, amigo, que um dia estaria sentado em frente ao meu computador escrevendo essas linhas.

Caro Sargento. Imaginei que nos digladiaríamos em debates efusivos e afiados, me esforçando para superar sua mente inquieta, seus pensamentos rápidos, tentando me sobrepor a sua mania de utilizar adágios, enfim, tal qual como fizemos no plebiscito de 1993 (eu parlamentarista e você presidencialista) e no referendo sobre as armas (um contra, o outro a favor).

Lembro-me, perfeitamente, quando me ligou para visitá-lo no 2º BC, se recorda amigo? Desde aquela época sofrendo pela injustiça dos poderosos, ou seja, preso porque enfrentou o Comando do Exército (mal sabia o General quantas brigas o destino lhe reservou).

A vida passou, formou-se em direito e virou o Doutor Romazzini e, mais uma vez caminhamos juntos, nos seus primeiros júris, nas suas primeiras audiências. Na CPI da Pirataria, muito aprendemos sobre Brasília. Não posso esquecer o dia em que ganhou seu primeiro mandato e, como é de seu feitio (ligar fora de hora) me ligou de madrugada e disse: “GANHAMOS AMIGO”.

Como rimos quando visitamos a sua amada APARECIDA DO TABOADO, pois lá, evidentemente, como tem inúmeros Romazzinis (sua família inteira), te chamam de LUIZÃO e muitos ainda acreditam que você está no Exército até hoje. Fiquei confuso, pois eu mesmo esquecia que seu nome é Luis Carlos.
Domingos, pela manhã, me ligando e me acordando cedo na minha casa. E, quando falo cedo, bem sabe que sete horas da manhã de um domingo é um horário impróprio. Contudo, sua paixão pela política não permite que enxergue esses “pequenos” detalhes.

A maioria das pessoas conhece o Vereador combatente, mas poucas pessoas têm o privilégio de conhecer o amigo, o homem culto, chato por vezes, mas uma pessoa que tem a missão de mudar o mundo. Amigo, sei que está conseguindo, sabe que acredito no seu ideal e não são os idiotas e imbecis que ontem se beneficiaram da nossa luta que vão nos parar.

Amigo, não me despeço de você. Ah! Isso não! Continuamos vivos. Talvez meu inquieto irmão tenha terminado um ciclo. Ciclo que um dia eu também concluirei. Mas enquanto eu estiver vivo, meu querido amigo caipira sul matogrossense, VOCÊ VIVERÁ DENTRO DO MEU CORAÇÃO.
Sidnei Aranha é advogado e professor em Guarujá
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Meu querido amigo Romazzini

José Forte Filho
Meu fiel leitor, não terei mais aos sábados o seu aplauso, o seu entusiasmo e sua vibração. Fubá e eu choramos sua falta, é triste, pesaroso, incrivelmente irritante aceitar sua perda. Guarujá perde o político, o professor, o advogado. Em todos os segmentos Romazzini era único, jamais conseguia ser mais um, era ele com suas falhas e virtudes, dono de uma personalidade marcante. Fique sabendo querido companheiro que “a morte não é nossa perda maior. Nossa perda maior é o que morre dentro de nós enquanto vivemos”. Estamos assim, vivendo aos poucos e morrendo aos poucos.

Registro aqui em uma mistura de gratidão e orgulho, crônica de sua lavra, publicada nos primeiros dias de setembro no jornal Diário do Litoral e republicada neste jornal em que presta homenagem a este humilde cronista.
 De todas as profecias enunciadas, fica desgraçadamente o gosto amargo de que “o vai piorar” fosse sua ausência nos destinos desta cidade. Descanse em paz, meu bom companheiro.
José Forte Filho é diretor do Jornal do Guarujá


Zé Profeta

Com cabelos já brancos, vi e vivi muita coisa. Como soaria piegas falar das bramuras pessoais, fico por personagens anônimos ou nem tanto, que já conheci. Muitos felizardos, outros azarados, profetas do caos ou da bonança. Mesmo porque hoje em dia o negocio é pensar positivo, rende um dinheiro danado, principalmente para os autores destes livros que lhe abrem a porta da prosperidade, desde que você os compre, é claro.

O paraíso nunca foi tão mercadejado, nem o capeta tão cortejado. Uns o usam como escudo, outros como lobo mau. Enfim, sempre haverá gaiatos e cascateiros, assim tem me ensinado a vida.
Está lá, no Código Penal, que charlatanismo é prática punida. O ‘X’ da questão é definir o que, quando e como se dá o charlatanismo, tal a plêiade de charlatães dos tempos atuais. Mas, é melhor não me imiscuir em política, por óbvias limitações legais; Então, vamos lá.

Ainda menino, conheci um azarado que, ao aproximar-se de uma dona de casa, imitando a voz do rádio, que logicamente sairia do ar pelos próximos trinta minutos, quando a desavisada percebeu: lá ia o gatuno, com seu rádio e palmas para a originalidade. O mesmo não deu tanta sorte quando da Copa do Mundo de 82, pois foi roubar a antena de uma televisão em pleno jogo do Brasil e levou uma coça daquelas.

Conheci outro que vendia terrenos no céu, e não era deputado em Brasília. O malandro vendia tudo que se podia imaginar, até mesmo lotes de terra em baixa de maré. De profetas, já li muito, não só os da bíblia, os do pessimismo, mas conheço um que o chamarei de Zé Lelé.

Meio gagá, rábula de boa cepa, boêmio inveterado e cópia de Murdoch, que luta com sua agruras diárias não só para fechar o jornal toda sexta, mas também as contas no fim do mês. Cujo jornal prometo não mais ler, pois o bruxo só acerta. Tudo que falou do Governo Farid, ‘pimba’. Agora volta ele sua baterias para a pobre prefeita e o ‘boca de conflito’ não erra uma. Já xingado por prenunciar o caso, não é que o gaiato previu, em letras garrafais, todo este caos que Guarujá se encontra. E, pior. Diz ele que vai piorar. É ranzinza e tem um amigo chamado Fubá, mas que acerta tudo, acerta. Então, nesta terra que Deus deu toda a beleza do mundo, temos nosso profeta, que segue tinhoso e forte. Habemos profeta.
Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Artigo - Ratos que rugem

Há muitos anos, assisti a um filme, cujo titulo era “O rato que ruge”. Contava a historia do pequeno Condado de Grand Fenewick, que estava à beira da bancarrota e seus governantes pensaram em uma guerra contra os Estados Unidos para, uma vez perdendo a guerra, serem ajudados na reconstrução, como acontecera com os paises europeus ao final da Segunda Guerra Mundial. Só esqueceram de avisar o comandante das tropas.

Lá se foram vinte homens com arcos e flechas em seus barcos e, para o azar do governo, os americanos estavam num dia de alarme de ataque aéreo, as ruas estavam desertas, só restando um cientista maluco com uma bomba poderosa, que na verdade era uma bola com um rato dentro.

Lembrei-me disto ao saber dos ataques norte-coreanos à Coréia do Sul, nestes últimos dias, pois tanto no condado fictício quanto na Coréia do Norte nada autoriza um pensamento mais sério sobre a beligerância daquele país, cujo povo a cada dia mais é massacrado por um regime lunático, cuja característica é de ser a única Monarquia Hereditária Comunista da história, onde o desabastecimento campeia e as elites vivem num mundo de fantasia.

A Coréia do Norte segue assim um pobre roteiro de óperas bufas de ditadores que, ao verem-se cercados pela própria incompetência e agudas crises, lançam mão de estratégias arriscadas a exemplo da ditadura da Argentina, que no auge de sua crise econômica, em 1982, lançou-se na aventura da retomada das Malvinas frente aos Britânicos. Moída militarmente, precipitou a queda do governo do general Leopoldo Galtieri, abrindo caminho para a redemocratização.

Na Coréia, as coisas podem sem bem piores, pois ao que parece dominam o ciclo nuclear e têm padrinhos poderosos, como Rússia e China. Além disso, está estrategicamente encravada na nova face do poder econômico mundial. Há também outros condimentos históricos. A própria existência de duas Coréias, separadas no paralelo 38, é fruto da guerra fria e do enfrentamento entre os americanos e os russos, entre 1950 e 1953, cujo cessar fogo nunca foi reconhecido. A bem da verdade, vivem em clima de guerra.

Por estas e outras da história, frente e frente estão uma Coréia pobre e comunista e a outra capitalista e rica, cujos papéis se invertem nos padrinhos, pois uma China Socialista está engolindo os EUA, vitrine do capitalismo mundial. E, talvez, a situação das Coréias seja uma triste página para o império americano e o início do imperialismo mundial amarelo. Os cuidados serão imensos, pois a Ásia não apenas é o continente mais populoso, mas também está mostrando as garras de seus tigres vorazes economicamente, frios diplomaticamente, e sabe-se lá o que há embaixo daquela cabeleira espetada de Kim Jong Il. Uma coisa já está clara: estão a cada dia mais espetando o ocidente, seja com seus produtos, com sua cultura e agora poderá ser com a força de seus mísseis.

Quanto ao Ditador Kim, está lá ele como na Obra de Orwell, a “Revolução dos Bichos”, construindo suas torres, entorpecendo seu povo para perpetuação no poder, sabendo que seus rugidos são seguidos pelos rugidos de ursos e tigres.
Luis Carlos Romazzini

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Denúncias de Romazzini geram resultados

Matéria publicada no Diário do Litoral no dia 16 de novembro de 2010
(Clique na imagem para ampliar)

Matéria publicada no jornal A Estância de Guarujá no dia
16 de novembro de 2010  (Clique na imagem para ampliar)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Artigo - Intolerâncias

No último pleito nacional, a luta política chegou a limites impensáveis. A internet, tida como a grande arma na disputa que fez de Obama o presidente dos EUA, aqui se tornou uma arma da mentira e da desinformação. Não sei por que diabos, mas colocaram Deus no centro de um debate fora de foco, idiotizado, que crer ou não crer no sagrado teve que ser, de forma hipócrita, demonstrado. E tantos foram os candidatos que entraram nessa, que picaretas das mais diversas religiões tomaram o centro do debate, como se pudessem ungir este ou aquele candidato.

Não satisfeitos com a mediocridade, os candidatos estenderam suas campanhas para a questão do aborto, mais uma vez com a desculpa de proteger a vida. Na verdade, era mais uma arma não para cabalar votos, mas para tirar do adversário. Ou seja, é a primeira campanha que vejo esforços para destruir serem infinitamente maiores do que para construir, deixando o debate pobre, mesquinho, idiota mesmo.

Terminada a eleição, eis que uma besta qualquer, que dizem estudante de Direito, lança um texto na internet de desvario absoluto, cheio de preconceitos para com os nordestinos. Mais um debate, com defesas de parte a parte, na maioria das vezes centradas em meias verdades que são mentiras absolutas. Não faltando aqueles que, sob o manto da liberdade de expressão, querem agora acobertar crimes, como se a vida humana e a convivência pacifica da coletividade não fossem valores acima da individualidade.

Mas os tempos de mediocridade parecem não ter fim. Um bando de jovens bem nascidos é acusado de agredir indiscriminadamente pessoas, ao que parece até agora, pelo simples motivo de serem homossexuais. Aliás, tese reforçada pela fala do advogado de um deles, que disse que teriam sido paquerados por uma das vítimas e foi mais além, dizendo ser uma briga generalizada, onde quatro ou cinco derriçavam o pau na cabeça de um só. E dá-lhe hipocrisia.

Estes poucos fatos ilustram a degradação que estamos vivenciando, seja na política ou na vida social. Não por acaso, isto acontece justamente quando há mais de uma década nosso sistema educacional tirou do professor qualquer autoridade sobre seus alunos. E, sendo chato pela enésima vez, pela malfadada progressão continuada.

Não bastasse isso, as novas mídias, se nos permitem avanços históricos na produção e comunicação, por outro lado disseminam, com uma velocidade assustadora, algumas práticas criminosas, não sendo raros os casos de grupos de jovens protagonizando cenas de violências e as postando nas redes sociais.

Por derradeiro, a terceirização da culpa por todos nós. Sempre é problema da escola, do clube, da torcida organizada, do filho da vizinha, do álcool e das drogas. Nunca admitimos que o mal esteja em nós mesmos, dentro de nossos lares, com a criação sem limites. Todos rimos quando uma criança de dois ou três anos dá tapinhas no rosto da mamãe, ou ficamos jubilosos quando nosso filho, ainda criança, enche o filho da vizinha de porrada.

Afinal, é cabra macho, nos esquecendo que as contradições já começam pela frase, pois se é cabra como pode ser macho? Haveria de ser um bode. Mas o bode mesmo, da ignorância, este não colocam em nossas salas. Este, nós mesmos criamos. E viva os joguinhos violentos que divertem nossos filhos, as touradas e o vale tudo. Afinal, a vida e a liberdade cada vez valem menos. Não é mesmo?

Luis Carlos Romazzini

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Artigo - Para onde vamos?

Nada é mais cruel neste país do que o “emburrecimento” a que estamos condenando a geração atual de jovens e crianças do Estado de São Paulo. Pode parecer perseguição ao atual governo estadual, mas os fatos é que me perseguem, de sorte que já estou perdendo as esperanças, diante do imobilismo social e institucional.

Na última segunda feira, dia de audiência de apresentação de mais um menor infrator, dos muitos que perambulam pelas ruas de Vicente de Carvalho e Guarujá e, mais uma vez, a mesma história: 15 anos de idade, escolaridade na sexta série que abandonou este ano, que morava sozinho após a morte da avó, que mal sabe copiar o nome, que a mãe reluta em entrar para a audiência, pois está passando mal e não queria ver o filho naquela situação.

Para cada uma das perguntas da Juíza, respostas lacônicas: que não sabia o por que estava ali, que não se lembra mais do que disse. Um jovem mirrado, com pouco mais de um metro e quarenta de altura, um verdadeiro e real retrato fiel da falência de tudo, da família, da escola, do Conselho Tutelar e do Ministério Público.

Explico. O jovem morava com a avó. Uma vez morta, não se têm notícias da mãe. Daí ausentou-se da escola, e também não há notícias sobre as providências que a direção deveria tomar, entre as quais a comunicação ao Conselho Tutelar. Cadê o Conselho Tutelar, que diante do caso poderia comunicar ao Ministério Público, pois há o inequívoco abandono intelectual. Enfim, todos falharam. Uma quase criança, com uma arma na mão, em companhia de um terceiro que aterroriza a balconista, que lhe entrega uma porção de celulares. A polícia prende, aí todos estão às voltas com suas próprias incompetências.

Mas, a tarde era longa. A juíza me pede e fico para a nova audiência. Agora são dois menores e tenho como companheiro um grande amigo, Dr. Valdemir, experimentado Advogado Criminalista. O menor “A” não sabia a data do aniversário. Tem 17 anos de idade e ficou na escola até a sexta série. Com 14 anos, abandonou tudo, não sabe ler nem escrever. A mãe diz que tentou de tudo, mas ele não aprendia e disse mais: que o Conselho Tutelar lhe disse “que não podia fazer nada”. “A” assume todas as condutas e inocenta “L”. Percebe-se um leve sorriso nos lábios da mãe de “L”.

“L”entra firme, olhar gélido e, diante das perguntas da Juíza, assume culpa em tudo. Participou, estava no local, iria dividir a “res furtiva”, o produto do furto. Todos se entreolham, a mãe de “L” não entende nada. Despedimo-nos, no longo corredor, e meu colega Valdemir parecia frustrado como cidadão. Eu, muito pior, pois triplamente frustrado. Como cidadão, professor e vereador.

Existem perdas que nos doem muito mais. Quis a vida que eu fosse professor e advogado, enquanto o destino levou-me ao cargo de vereador. É muito triste para um professor ver que da falência da educação brota o criminoso, o menor infrator. Mas, o pior mesmo é ver um jovem que freqüentou por sete anos os bancos escolares, e não sabe ler e escrever, tornar-se um punguista a atacar turistas. É um fato grave, condenável e punível, mas e a omissão dos poderes públicos, como fica?

Por certo, continuarão a mascarar números e mais números, estatísticas frias e mentirosas que são usadas nos programas eleitorais, também mentirosos. E a sociedade? Ah, esta segue seu destino de avestruz, a se espantar diante dos frios canos das armas que lhes são apontadas e que não são, nem de longe, igual à frieza com a qual encaramos e conviemos com as desgraças de cada dia.
Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Artigo - Feriados e velórios

Diz a lenda que quatro genros levavam “tristemente” o caixão da querida sogra para o destino final, mas sempre há pedras no caminho, como dizia Drumond. No caso dos tristes genros, havia uma velha figueira que, ao passar por baixo da mesma, eis que os da frente tropeçaram numa raiz da frondosa árvore e o caixão estatelou-se ao chão e dele levantou-se a velha, que não havia morrido e sim, sofrido um ataque de catalepsia. De sorte, que todas as lágrimas vertidas pelas filhas agora eram alegria total e quem vertia lágrimas de “sinceras” felicidades, agora, eram os genros.

Eis que passados alguns meses, novamente a velha caiu dura. Novamente choros e reencontros de familiares e um novo féretro que, ao aproximar-se da velha figueira, em uníssono grito dos carregadores do caixão: Cuidado com a raiz! Ponto final e lá foi a velha para a catacumba, com direito a laje de concreto e tudo mais.

Trazendo para a política, o primeiro velório de Serra deu-se em 2002, levado ao destino final por FHC, Alckmin, Aécio e Jereissati. Tropeçou na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2004 e, pronto, levantou-se Serra e daí ao Governo de São Paulo e a mais uma disputa presidencial foi um passo. Obviamente, foram passos sobre as cabeças de Aécio, Alckmin, FHC e outros, que “suaram” a camisa neste segundo turno. FHC chegou a caminhar setecentos metros e a sola do sapato soltou-se, numa combinação que jamais eu havia visto. E olha que nisto os tucanos são bons. Desde o desmaio ensaiado de Ruth Escobar na Assembléia, mas esta sola de sapato simboliza muito mais.

Neste atual velório, e nada a ver com o Dia de Finados, pois sempre será assim, dada a lógica do calendário, sempre o segundo turno será próximo a esta data nada alegre, mas, com certeza, ao ver o “sofrimento” do Alckmin no discurso de derrota de Serra e a amnésia deste, para com Aécio e FHC, suspeito que o defunto pode estar tendo uma segunda catalepsia. Só resta saber se a raiz da figueira será novamente a disputa pela Prefeitura de São Paulo.

É sabido que Jose Serra, na infância, não brincava de esconde-esconde, pois desde lá se achava. Imagine agora, depois de tantas disputas e cargos ocupados e vendo históricos, como Artur Virgilio e Jereissati caminharem para o ostracismo, como estará sua cabeça. Mas, por outro lado, Alckmin bem hospedado no Palácio dos Bandeirantes e Aécio no berço esplêndido do Senado, com tempo e fleuma de sobra para percorrer o país como o “líder” da oposição Demo-Tucana.

Serra só não está de cabelos em pé por razões óbvias, mas deve ter cuidado até com a água que bebe, pois a atual catalepsia pode motivar até que não apenas se desvie do pé da figueira, mas que os amigos tucanos a arranquem para todo o sempre e sigam o tucano penoso velório do amigo Serra.

Em tempo: aos tucanos que não conseguem chorar, contratem carpideiras, com licitação e sem Paulo Preto.

Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Artigo - Escolas e presídios

Quem não constrói salas de aulas, edifica prisões. Este bordão, sempre lembrado nos discursos vazios dos políticos em geral, se for verdadeiro na essência, com o tempo está se mostrando insuficiente diante da violência e do ‘emburrecimento’ de uma geração inteira, no Estado mais rico da Federação, cuja culpa maior é da progressão continuada.

Temos continuadamente assistido cada vez mais cenas de violência na porta das escolas, nas praças, na internet, enfim, a vida de crianças e jovens está, de forma medieval, contaminada. Agarram-se, agridem-se e, em muitos casos, filmam e colocam na rede mundial de computadores.

É a lei do mais forte e, pasmem, das mais fortes, pois vemos meninas agarrando-se pelos cabelos nos shows de horrores, cujos pais, quando perguntados, rapidamente tentam transferir a responsabilidade para a escola, para o professor, para os inspetores, para o papa, ou para o bispo. Nunca admitem que o respeito e a educação têm que partir de casa. Afinal, o que lhes importa é nota em boletim, para exibirem como troféus aos outros pais.

Caro leitor. Faça um teste você mesmo. Pare na porta de uma escola e veja o ritual do pobre porteiro, tendo que ameaçar fechar os portões e sendo ridicularizado, olhado como simples serviçal, enquanto crianças se agarram aos beijos. Outros, no total desprezo pelos horários. Do lado de dentro, novas lutas. Agora, os inspetores pelos corredores e, por fim, os pobres professores, a esperarem os ‘atrasadinhos’. Depois, implorarem por silencio e, enfim, quem sabe poderem passar um pouquinho de conhecimento aos poucos que desejam, pois a grande massa quer mesmo é vadiar.

Vadiar mesmo, me desculpe, mas não há outro verbo que melhor se amolde. Esta contaminação da escola já está passando para a vida cotidiana e explodem os casos de roubos e furtos. Muitos nem querem mais trabalhar, especialmente onde se têm facilidades, como em nosso litoral, cujos turistas são inesgotáveis fontes de lucros fáceis, quando não presas fáceis aos roubos à luz do sol.

É pela má educação que estão esvaindo-se os valores. Primeiro, porque freqüentar escolas, especialmente as públicas, não é mais sinônimo de aquisição de conhecimentos e preparo para a vida. Depois, porque a escola é o ambiente maior de socialização de qualquer criança que sai do seio familiar para o seio social. E ai, nada mais maléfico do que o mundo insano e sem limites, em que se transformou a escola.

Os professores, por sua vez, são as salsichas no pão, apertadas de todos os lados. Primeiro, pelos parcos salários, mas também pela legislação que não conhecem, pois não sabem sequer seus direitos e nem como agir diante das agressões diárias. Resultado: lotam consultórios e engrossam as licenças saúde, pois não suportam o manicômio escolar.

Por derradeiro, as crianças e jovens só conhecem do Estatuto da Criança o que lhes interessam. Não conhecem as leis, o código penal e suas conseqüências. Vivem no mundo do ‘tudo posso’, até cruzarem a linha tênue que divide a vadiagem do crime. E aí, os leões dos corredores escolares, aqueles que a todos afrontam, que humilham e agridem professores, inspetores e pais, viram gatinhos de madame nos corredores dos presídios, mas já é tarde, e não apenas Inês é morta, mas, sobretudo, a infância, a juventude e a esperança de um país mais próspero.
Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Artigo - Crenças e votos

Com todas as limitações impostas pela lei eleitoral, o debate sobre eleições ficou quase que restrito apenas aos participantes do pleito ou àqueles que, de modo mercenário, utilizam seus meios de comunicação para atacar a este ou aquele candidato, geralmente por pequenos jornais. Há exceções, mas que ligados a poderes públicos geralmente municipais muito mais preocupados com o pleito de 2012, usam e abusam de ataques, quando não os sempre conhecidos panfletos apócrifos lançados nas madrugadas (como fomos vítimas durante este processo eleitoral).

Nesta eleição, particularmente, um tema tornou-se central, em que pese vivemos num Estado laico: a religiosidade ou fragmentos dela ocupou um espaço impensável a depreender da historia de vida dos quatro principais candidatos. Digo isto, pois, Dilma, Serra, Marina e Plínio de Arruda sempre tiveram suas atenções ligadas a temas muito mais republicanos e concretos da existência humana. Preocupações com a liberdade, com o meio ambiente e a democracia institucional ocuparam agendas e a vida dos quatro.

Este fenômeno obviamente será tema de estudos de parte de marqueteiros, pensadores e estrategistas, mas espero mesmo que fiquem apenas no plano dos estudos e que não tenhamos mais este tema como centro do debate em qualquer eleição.

Nosso país precisa e muito de discussões mais terrenas e menos transcendentais, precisa de comida na mesa, de educação de qualidade, de desenvolvimento sustentável, de política externa que defenda nossa inserção nos mercados mundiais, de uma nova política para o desenvolvimento do esporte, de encararmos o drama habitacional, de nossas cidades que não crescem, mas incham com todas as mazelas, de retomada da autoridade do Estado nos territórios hoje dominados pelo tráfico. E, principalmente, de não mais sermos reféns do crime, como acontece hoje em São Paulo.

Sabemos da importância da religião pelos seus primados éticos e morais, mas daí a decidirmos tudo sob o prisma da religiosidade deste ou daquele, isto me assusta. Daqui a pouco não mais será preciso aplicar a provinha no Tiririca, mas submeter o candidato para saber recitar o salve rainha, ou se tem décor os incontáveis salmos ou as cartas do Apóstolo Paulo a Timóteo. Sabemos e cremos na existência de Deus, mas daí a jogar todas as responsabilidades e dramas e soluções no Sagrado me cheira enganação e das grossas.

Na minha curta experiência de mandatos, a prática me ensinou, especialmente no caso mensalinho em Guarujá, que a palavra de Deus não é o manto salvador apenas, mas o manto sob o qual ratões se escondiam para locupletarem-se com práticas, nada republicanas, quanto mais cristãs.

Por derradeiro, aos que vivem a misturar fé e voto, recomendo que assistam ao filme Rainha Margot, no qual, em magistral papel, Isabele Adjani interpreta a filha de Catarina de Médici, com suas diabólicas tramas que, usando do nome de Deus, numa só noite assassinam friamente seis mil franceses. Talvez a história tenha muito mais a nos ensinar do que esta hipocrisia generalizada, destes atores de óperas-bufas da contemporaneidade e pobreza do debate político atual. Afinal, o Brasil sempre marcado pela pluralidade religiosa e cultural, não precisa nem um pouco deste ingrediente de ódio e desespero eleitoreiro.
Luis Carlos Romazzini

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Artigo - Tempos e almas

Piegas, démodé, sentimentalismos e ufanismos. Qualquer um destes adjetivos pode ser utilizado por aqueles que com amargor analisarem os acontecimentos no Chile, onde trinta e três homens passaram mais de dois meses confinados nas profundezas de uma mina.

Este caso trouxe-me à mente uma das primeiras obras recomendada pelo Dr. Frederico, meu mestre na Faculdade de Direito da Unisantos, ainda no primeiro ano. Era um livrinho simples sobre O Caso dos Exploradores de Cavernas, de Lon D. Fuller, cuja situação era muito parecida, vez que os chilenos ficaram 17 dias sem qualquer comunicação com o mundo exterior.

No livro, uma intrincada historia de sorteio e morte de um dos exploradores e a chegada do resgate, logo após o sacrifício justamente do autor da proposta de se sacrificar alguém para servir de alimento aos demais. Daí por diante, três são as teses que de tão bem elaboradas você acaba por crer que ambas são corretas, mas tem que optar e justificar uma delas, um dos belos exercícios da faculdade.

Obviamente que a realidade envolve milhões de telespectadores mundo afora. Envolve também interesses poderosos da mídia e da política. Não por acaso, lá estava o Presidente Sebastian Piñera, a receber o primeiro a ser resgatado, inclusive com lágrimas nos olhos.

Mas, antes de qualquer analise, o sofrimento daqueles 33 homens e seus familiares serviram e muito para mostrar-nos a existência de sentimentos puros de solidariedade e fé, pois não foram poucos os casos individuais e coletivos de manifestação de carinho, de orações. Enfim, revivemos sentimentos bons que muitas já julgavam extintos no mundo contemporâneo.

Até mesmo nós, aqui, a milhares de quilômetros do deserto do Atacama, nos emocionamos com as imagens de pessoas saindo frágeis para o deleite dos braços de suas amadas, seus filhos e pais, cenas que mostram que ainda há esperança, ainda existem sentimentos puros, em que pese sejam necessárias muitas vezes tragédias para fazer brotar a solidariedade e gestos de amor.

Estes acontecimentos, por mais dramáticos que sejam, por mais que muitos se aproveitem de uma ou outra maneira, deixam os gestos, as lágrimas de felicidade, os abraços ternos e a leveza das almas. Mesmo aos que não creiam em almas, mas que elas se desnudam se desnudam, muito mais que possamos esperar. Ainda há esperanças na raça humana, em que pesem os bicudos tempos em que vivemos.

Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Artigo - Pobre Deputado Bruno Covas

Bruno Covas, campeão de votos no estado de São Paulo, cujo sobrenome é o maior dos puxadores de voto. Quando digo pobre, não o faço no sentido material é claro, pois a depreender de sua volumosa campanha, o que não faltaram foram recursos materiais. Mas, uma vez eleito, parece não saber ou não ter a mínima noção de conjunto social. E que a ironia, quando passa do limite, nos torna toscos, burros mesmo.

Refiro-me, logicamente, à sua suposta fala, reproduzida por um grande jornal de nosso país, que dia 05/10, traz o seguinte: “Mercadante finalmente entendeu a diferença entre reprovação automática, obtida por ele nas urnas, e progressão continuada, conferida pelo eleitor ao PSDB em São Paulo”.

Pobre menino rico, depauperado em sensibilidade, pois por ter nascido em berço de ouro o Deputado Bruno Covas não sabe a desgraça que seu partido vem provocando com a política educacional errática e criminosa, que está assassinando o futuro de uma geração inteira em nosso estado.

Infeliz um deputado reeleito, cujo avô dizia que um sistema de pedágios justo era aquele de um dólar a cada cem quilômetros. Talvez por andar em carros oficiais desde sempre com o “sem parar”, não sabe que para ir e voltar de Guarujá a São Paulo se gaste R$ 27,00 reais, o que convertidos em dólares dá mais de setecentos por cento de diferença. Um assalto, um acinte, uma vergonha com a complacência do Deputado Bruno Covas.

Medíocre um deputado que assiste impassível a Sabesp fornecer uma água de péssima qualidade, com obras realizadas sem qualquer decência a preços exorbitantes. E ele, na condição de fiscal do povo, se cala. Pior. Faz base de um governo “ABAFADOR DE COMISSOES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO”.

Ignóbil um deputado, que vê o crime organizado triunfar, tornar nosso povo refém e nada faz. Pior. É base de apoio de um governo que esconde os presos nos rincões do interior, deixando as famílias a centenas de quilômetros e desrespeitando a Lei de Execuções Penais, cala-se, esconde-se como uma avestruz em sua cabeça na areia, no caso do Estado de São Paulo, na lama fétida do palácio dos bandeirantes.

Desvalido de raciocínio um Deputado, que por andar em carrões pagos pelo erário público jamais deve ter andado na linha do metrô Corinthians-Itaquera em um horário de pico, para ser arrastado pela massa espremida e humilhada pela incompetência da “Gerência Tucana” que há desgraçados dezesseis anos infelicitam o povo de São Paulo, mas que montada em uma máquina fascista mente, distorce e conta com uma mídia poderosa ao seu favor.

Deputado Bruno Covas: idiota, na Grécia antiga, era aquele que era preciso ser retirado da política, pois não mais servia para nada. Cuidado, podes estar chegando lá, em que pese mais de uma centena de milhares de votos obtidos. Dar-te-ei um conselho, sé é que posso por ser um ex-engraxate, servente de pedreiro, professor e simples vereador: vá a uma escola pública do estado, veja as condições materiais, pergunte aos professores e faça uma avaliação do aprendizado você mesmo.

E, então, jamais fará de novo um insano trocadilho como fizestes, pois por trocadilhos, Covinha, estão enterrando o futuro de nossos jovens e matando o professorado pelos péssimos salários e pela absoluta impossibilidade de educar nossos filhos, pois lhe roubaram toda e qualquer autoridade sobre o alunado.
Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Artigo - Reformas e mentiras em Guarujá

A historia só se repete como farsa. Esta máxima uma vez mais se concretiza, pior para nós Guarujaenses, já cansados de desilusões e frustrações. Mas, o que temos assistido agride a inteligência mediana. A atual prefeita elegeu-se sobre um tripé, que à época era o péssimo sistema de transportes, a buraqueira das ruas e as imoralidades da gestão anterior. Essa soma foi determinante para que a então maior coligação do estado caísse no primeiro turno. Em todo o país, foram apenas dois casos de prefeitos de cidades com mais de duzentos mil habitantes que, candidatos à reeleição, perderam a parada no primeiro round.

Pois bem, logo de inicio a questão do transporte foi sendo relegada e seu Dom Quixote, Cláudio Paes Rodrigues, jogado para o escanteio até sair melancolicamente, lançando aos quatro ventos motivações nada republicanas da administração, que não só deixou de investigar e baixar as passagens, como concedeu polpudos aumentos consolidando uma grande mentira.

Prosseguindo, das imoralidades do passado, talvez a mais aviltante fosse a farra dos cargos de confiança, que haviam sido dobrados pelo desgoverno anterior. Diferentemente do corte drástico prometido, da moralização e valorização dos servidores de carreira, a prefeita tal como uma avestruz meteu a cabeça na areia e deleitou-se com o néctar dos cargos aos apaniguados, inclusive de maneira ilegal, principalmente pelo advento da Lei do Nepotismo.

As promessas empoeiraram, até que neste ano de eleições enviou enfim seu projeto “moralizador”, cuja mensagem diz abertamente que fora feito em parceria com o Ministério Publico. Este fato este foi por mim apurado e negado com veemência pelo Promotor Publico que, de pronto, oficiou a prefeita sobre os vícios contidos no projeto, em especial por ter entre os cargos de confiança cento e trinta e cinco cargos técnicos, sendo, portanto, de inconstitucionalidade absoluta.

Mas a mentira maior não foi esta e sim o fato de não reduzir os gastos e de piorar ainda mais a situação dos funcionários concursados em suas funções gratificadas. Ou seja, nossa cidade continuará a gastar quase dois milhões de reais por mês só com estes cargos que, digo e repito, bastaria a metade. Simplificado: a cada mês daria para construir uma creche ou a cada três meses uma escola, dinheiro nosso que continuará indo para o ralo da incompetência.

Como todos os mentirosos, quando surpreendidos na mentira apelam ao drama. Foi cômica, não fosse trágica, a leitura da carta em que familiares da prefeita enviaram à Câmara em resposta às duras criticas que fiz. Sequer tiveram a capacidade de inovar, pois batem na velha tecla que tantos bateram, sobre minha suposta insanidade mental. Ah, meu Deus, confesso que por alguns momentos senti pena da prefeita, pois a própria família demonstra também estar no mundo da lua, e não em Guarujá.

Se em Guarujá estivessem, onde se morrem nas filas dos postos de saúde, quando não são enviados aos hospitais da região e em se morrendo aguarda-se dias, pois não temos carros sequer para buscar nossos mortos; onde se perece em pontos de ônibus sem coberturas sob o sol e chuva; onde se libera os alunos mais cedo por falta de professores; onde não se paga sequer quem fornece água para a prefeitura. Se vivessem como nosso povo vive, com certeza mandariam uma cartinha para Deus, pedindo piedade para a ilustre prefeita, suas mentiras e incompetências.

Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Artigo - A marginalização dos pobres em Guarujá

A pedra rola, destroça tudo morro abaixo, mais um lar, vítimas e, logo em seguida, tudo volta ao normal, mães marcadas por mágoas e lembranças, desesperanças numa terra tão linda. Assim tem sido, no morro da Cachoeira, Engenho, Macacos ou Vila Baiana, de tragédias em tragédias, de lamentos em lamentos.

Mas, pela Lei de Murphy, tudo pode ser pior. De uns tempos para cá, no Morro da Vila Júlia, os aparatos do Estado também contribuem com seu quinhão para aumentar o sofrimento. Forças policiais do Batalhão Ambiental sobem o morro, notificam a tudo e a todos, e lá vai o Ministério Publico a oferecer denúncias de crimes ambientais.

Pronto. Agora, além de viver no morro, o morador descerá ao asfalto na condição de réu, acusado de violar a lei e a ordem. A Ordem dos Advogados nomeia-lhes defensores e, num processo burocrático, sem discussão, saem de lá agradecendo ao bondoso Estado pela suspensão processual e ficarão assim por dois anos, com todas as restrições legais que a suspensão do processo lhes impõem. Que maravilha, que solução. De fato, continuam a morar no morro, com todos os perigos, mas recebem um ‘me engana que eu gosto’, nesta terra chamada Guarujá.

Nada importa se, no morro ao lado, as mansões ocupem o alto do morro, desmatem, destruam. Eles podem, são os poderosos. Nada importa também que o Morro da Glória continue a ser comido a cada dia por interesses dos poderosos, com sua cratera tão escancarada quanto a falta de vergonha de nossas autoridades. E não adianta denunciar. Os do ‘colarinho branco’ fazem tudo dentro da ‘Lei’.

Nada importa se, no passado, o Prefeito Maurici distribuiu lotes do Morrinho a seus comparsas Vereadores, para eleger seu sucessor. A prefeitura continua lá, como uma avestruz com a cabeça enfiada na areia. Anuncia-se como parceira do Ministério Público que, segundo ela, foi parceiro na elaboração da Reforma Administrativa, que continua a saquear Guarujá.

Parceira nisso, parceira naquilo, parceira na omissão e ignorância e na cegueira coletiva, que abrange a todos, Prefeitura, Ministério Público e, me perdoem, até advogados, pois bastaria uma leitura do artigo 23, inciso I, do Código Penal, para constatar que o Estado de Necessidade é excludente de ilicitude. E, por acaso, o pobre que sobe centenas de degraus, que se esgueira e escorrega para chegar ao seu lar ou aquele que atola a canela no mangue, está ali por prazer, ou por absoluta necessidade?

Bastaria que soubessem que, nos últimos 20 anos, a CDHU não fez uma unidade habitacional em Guarujá e que as poucas iniciativas atuais levarão no mínimo meio século para resolver o drama habitacional. Ou por acaso não sabem que temos mais de vinte mil famílias morando em condições precárias, que afrontam direitos constitucionais consagrados, mas vergonhosamente ignorados pelos agentes do Estado que, com a brutalidade habitual, tratam nosso povo.

Colocar um fim a esse teatro do absurdo é um dever de todos nós. Mas, infelizmente, a bancada da prefeita ignorou também um documento de minha autoria sobre a questão. Só nos resta a imprensa livre, para colocar a boca no trombone e lutar contra a marginalização dos pobres em Guarujá.
Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Artigo - Coisa de louco

Um cidadão e seu carro trafegam tranqüilamente quando, justamente em frente a um hospício, o carro pára abruptamente. Eis que o motorista abre o capô e está a verificar o que se passa, quando em cima de um muro um dos internados grita: é o cabo da bateria que está solto. O motorista retruca: como sabes, se és louco? A resposta é imediata: sou louco, mas não sou cego, nem burro.

Esta velha anedota ilustra bem o momento em que vivemos, momento em que o eleitor está qual o “louco” em cima do muro, a esperar os carros pararem com seus defeitos para dar seu veredicto. E, em poucos segundos, deixar na urna seis votos que definirão nossas vidas pelos próximos quatro anos e, no caso dos senadores, por oito anos.

O grande problema é que só nos últimos dias o eleitorado tem se dado conta da proximidade da eleição. E justiça eleitoral, com inserções ainda tímidas, começa a falar da eleição didaticamente, pois o sistema de ensino não o faz com competência, já que há universitários e outros tantos já formados que ainda não sabem as diferenças entre deputados estaduais e federais. No caso destes últimos, muita gente pensa que podem ter votos no Brasil todo.

Se souber as funções de cada parlamentar for pedir demais, não sabem o porque do Senado, nem a forma de eleição dos senadores e a necessidade da duração de seus mandatos serem de oito anos. Como nosso sistema é bicameral e por ser o Senado uma casa revisora, o que em tese propicia equilíbrio à Republica, tenho lá minhas duvidas também quanto ao equilíbrio pretendido.

Boa parte do eleitorado ainda não sabe o que é voto majoritário e voto proporcional, fator importante, pois o presidente, governadores, senadores e prefeitos precisam alcançar a maioria, diferenciando-se ainda os cargos executivos que precisam de maioria absoluta, dai a existência do segundo turno para legitimar as vitórias, já que infelizmente a direita golpista quis no passado impedir a posse de Juscelino Kubitschek, nas eleições de 1955.

Outro fator importantíssimo que está esquecido é o do quociente eleitoral, ou seja, os cálculos para eleger os deputados estaduais e federais. O desconhecimento faz com que muitos não entendam o porque um fulano com muito mais votos que outro ficar de fora, enquanto o outro se elege. Esta conta precisa ser explicada.

No caso da Assembléia Legislativa, dividem-se os votos validos do estado por 94, que é o numero de cadeiras, para chegar-se-á ao quociente para “fazer” a legenda. Imaginemos os partidos e coligações como se fosse um saco a encher de votos e a cada quociente elege-se entre os nomes das muitas vezes “saco de gatos” o que nominalmente tiver mais votos, pois o cidadão pode votar apenas nas legendas dos partidos.Aliás, como se dá também nas eleições de Vereadores.

Somados todos os votos de cada “saco” digo, partidos e coligações, sobrarão sempre vagas que serão distribuídas pelos partidos e coligações de acordo com suas sobras, lembrando que para entrar neste “rateio” tem que eleger ao menos um integrante.

Pois é, meu amigo, se conseguiu entender essa loucura eleitoral e por acaso seu carro encrencar em frente a um hospício, é melhor acolher o conselho do “louco”, pois de carros e eleições ainda entendemos pouco.
Luis Carlos Romazzini

Artigo - O drama do México

Dramalhão Mexicano. Sempre falamos assim quando queremos indicar uma novela ou estória de gosto duvidoso. Mas, agora não, agora a coisa tomou proporções dramáticas, com mais de meia centena de mortos de uma só vez e o pior é que mataram até quem estava investigando os fatos. Ou seja, há um Estado criminoso dentro do Estado Mexicano.

Existem ali varias questões. As principais são os cartéis de tráfico de drogas, mas o tráfico de pessoas também tem sido a tona. Todos os anos, milhares de mexicanos e outros latino-americanos tentam entrar em território americano. Muitos morrem de sede e fome, na longa travessia do deserto do Arizona, enquanto outros têm destino mais cruel, extorquidos nas mãos dos “coyotes”, ou dos agentes mexicanos, tão corruptos que sequer se submetem ao controle do Estado.

Por outro lado, o próprio México, histórica vitima da sanha imperialista dos EUA, que lhe tomou boa parte do território e, por meio de contratos suspeitíssimos com governantes corruptos do México, levam a maior de suas riquezas, o petróleo, a preços ínfimos, fazendo com que a miséria continue sendo a tônica do outro lado do rio Grande.

Aliás, esta miséria não só mexicana, mas também africana, latino-americana e até mesmo de parte da Europa, apesar da Comunidade Econômica Européia. A verdade é que o mundo todo está se dividindo entre eldorados desenvolvidos e trevas de miséria, por todos os continentes. E não adianta usar a milenar prática de construir muralhas, como na Velha China. A verdade nua e crua é que estamos nos tornando insustentáveis, enquanto civilização. Somos os vermes da terra, vermes de nós mesmos, vermes da democracia que corroemos a cada dia.

A situação do México e sua fronteira porosa com os EUA nos remete às nossas próprias fronteiras, que muitos tolos crêem ser possível policiá-las, mantê-las intransponíveis, simplesmente porque não conhecem nada de nada, nem de nosso pais e suas mazelas e tampouco das mazelas de nossos vizinhos.

A questão das migrações passa por um novo olhar, de mecanismos multilaterais, como a ONU. A questão das drogas, por sua vez, passa por políticas internas de cada pais. Que cada qual feche as narinas de seus usuários de drogas, que abandonem o insano modelo de combate, que só serve para enriquecer traficantes e corromper agentes do Estado e passem a adotar políticas mais realistas e menos hipócritas. Agora, que dói muito ver uma Nação inteira contar mortos da brutalidade criminosa, isso dói. Mas, pior é não ver no horizonte uma mudança deste horrendo drama.
Luis Carlos Romazzini

Artigo - Zé Profeta

Com cabelos já brancos, vi e vivi muita coisa. Como soaria piegas falar das bramuras pessoais, fico por personagens anônimos ou nem tanto, que já conheci. Muitos felizardos, outros azarados, profetas do caos ou da bonança. Mesmo porque hoje em dia o negocio é pensar positivo, rende um dinheiro danado, principalmente para os autores destes livros que lhe abrem a porta da prosperidade, desde que você os compre, é claro.

O paraíso nunca foi tão mercadejado, nem o capeta tão cortejado. Uns o usam como escudo, outros como lobo mau. Enfim, sempre haverá gaiatos e cascateiros, assim tem me ensinado a vida.

Está lá, no Código Penal, que charlatanismo é prática punida. O ‘X’ da questão é definir o que, quando e como se dá o charlatanismo, tal a plêiade de charlatães dos tempos atuais. Mas, é melhor não me imiscuir em política, por óbvias limitações legais; Então, vamos lá.

Ainda menino, conheci um azarado que, ao aproximar-se de uma dona de casa, imitando a voz do rádio, que logicamente sairia do ar pelos próximos trinta minutos, quando a desavisada percebeu: lá ia o gatuno, com seu rádio e palmas para a originalidade. O mesmo não deu tanta sorte quando da Copa do Mundo de 82, pois foi roubar a antena de uma televisão em pleno jogo do Brasil e levou uma coça daquelas.

Conheci outro que vendia terrenos no céu, e não era deputado em Brasília. O malandro vendia tudo que se podia imaginar, até mesmo lotes de terra em baixa de maré. De profetas, já li muito, não só os da bíblia, os do pessimismo, mas conheço um que o chamarei de Zé Lelé.

Meio gagá, rábula de boa cepa, boêmio inveterado e cópia de Murdoch, que luta com sua agruras diárias não só para fechar o jornal toda sexta, mas também as contas no fim do mês. Cujo jornal prometo não mais ler, pois o bruxo só acerta. Tudo que falou do Governo Farid, ‘pimba’. Agora volta ele sua baterias para a pobre prefeita e o ‘boca de conflito’ não erra uma. Já xingado por prenunciar o caso, não é que o gaiato previu, em letras garrafais, todo este caos que Guarujá se encontra. E, pior. Diz ele que vai piorar. É ranzinza e tem um amigo chamado Fubá, mas que acerta tudo, acerta. Então, nesta terra que Deus deu toda a beleza do mundo, temos nosso profeta, que segue tinhoso e forte. Habemos profeta.
Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Artigo - A morte do riso

O filme ‘O nome da rosa’ vem da obra de mesmo nome de Umberto Eco. Pela riqueza de detalhes, chego a crer ser um velho diário de memórias de algum religioso, daqueles que se acham nos baús empoeirados da historia, por tão cativante, que nos prende atenção do inicio ao fim.

O debate central do enredo é a diferença entre ordens religiosas, que descamba para a vida cotidiana e nada santa de alguns membros do mosteiro. Mas, é a visão satanizada do riso o que mais me chamou atenção. Pois bem. O tempo passou e no mundo real, quase que tragicômico em que vivemos, mais uma vez o riso esta no cadafalso, nestas eleições.

Refiro-me à legislação eleitoral que há muito esta liofilizando as campanhas, tornando-as quase que secretas. Com a desculpa de se cortar custos e baratear as campanhas, o que fazem é justamente o contrário. Tivemos a proibição de propaganda em postes, viadutos e similares, muito mais por estética e defensável poluição visual. Até ai tudo bem. Agora, com a nova lei e suas interpretações, um candidato não pode sequer adentrar a um shopping Center para deixar seus materiais.

Pior ainda quando se proíbe que humoristas possam exercer suas profissões, satirizando este ou aquele, como se este sepulcro do riso fosse a segurança de eleições puras e limpas, mas deixam que o pleito se transforme numa comédia sem limites, com candidaturas que o que mais fazem é zombar do próprio processo e das instituições.

É difícil aceitar que se proíbam programas como o ‘Casseta & Planeta’ e suas históricas piadas e se permitam registros de candidatos, cujas aparições são puras piadas e que, por certo, elegerão a si próprios e outros malandros que, queimados com o eleitorado, lançam mão de “inocentes úteis” que com os milhões de votos os levarão aos parlamentos sem que sejam aprovados pelo crivo do eleitor, pois o sistema proporcional possibilita isso.

Só para lembrar, o falecido Enéas conseguiu eleger partidários com menos de mil votos para representar nossos eleitores na Câmara Federal, num estado em que uma legenda de Deputado Federal deve passar de trezentos mil votos. Mas, de carona, entram aqueles que o eleitorado não colocaria nem para síndicos do Edifício Copam.

E, por conta da draconiana lei, sequer podemos colocar neste espaço democrático os casos concretos. Mas, estou seguro de que os leitores deste diário, por suas formações e grau de informação que possuem saberão identificar estes casos. O problema é que a grande massa nem sempre percebe que a chacota eleitoral poderá se tornar um choro de quatro longos anos.

Não que eu tenha por determinismo que os candidatos exóticos não possam ser bons parlamentares no futuro, mas o problema é o efeito colateral, tal e qual os rótulos das pingas, que dizem não trazer ressacas ou dores de cabeça (mas, experimente para ver).

Por enquanto, só nos resta acompanharmos o velório do riso e, em muitos casos, enxugar as lágrimas, partindo para outra eleição. É claro. Afinal, nunca deu certo esse hábito de proibir artistas, risos e tantas manifestações populares. E não será agora que dará.

Portanto, libertem o riso, libertem os sonhos, os poetas, os artistas. Libertem o voto dessa hipocrisia generalizada. Como disse o poeta, é proibido proibir.

Luis Carlos Romazzini é professor e vereador em Guarujá

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Artigo - Amores de ocasião

Comparo as relações de poder que tenho vivenciado, bem verdade no pequeno mundo de um legislativo municipal, ao cio de minha cachorra de pouco tempo atrás. Muitas vezes, meu portão ficou cercado pelos cachorros da rua, dos quais a consegui proteger, para que não ficasse prenha, mas por descuido meu ela acabou prenha pelo outro cão que tenho no quintal. Ou seja, a lambança estava mais próxima que eu pensava, me fazendo lembrar um velho dito: “Que Deus me livre dos amigos, pois dos inimigos cuido eu”.

Assim tem sido a sina de prefeitos, sustentados por bancadas que, não raras vezes, deitam e rolam em privilégios, são consortes nos crimes e vilanias, só que por proteção constitucional. E não poderia ser diferente, pois não se pune em lugar algum do mundo parlamentares pelos seus votos.

Assim sendo, aqueles que por dever teriam que vigiar se acumpliciam nas maracutaias e todos lucram, enquanto o povo perde e perde muito. O que me dá razão são os milhares de processos que tramitam contra os prefeitos em nosso Estado.

Bem verdade que, após as leis de Licitações Publicas, Responsabilidade Fiscal e agora a da Ficha Limpa, colocaram obstáculos, mas a farra continua. E continua por um simples motivo: a cultura patrimonialista da sociedade e, por via direta de seus eleitos, a noção de ser dono do espaço político, de não ter que prestar contas, caminha rapidamente pelo “direito” de saquear, enriquecer a si próprios e aos seus, na grande maioria dos casos.

O destemor pela lei e a certeza de que com dinheiro pode se contratar os melhores advogados, no pós-governo, as relações incestuosas com parte da mídia, que muitas vezes fecha os olhos para determinadas questões cruciais, de falta de zelo com os recursos públicos. Isso tudo só vem à tona quando estes prefeitos fora do poder entram no calvário por eles construídos.

Diante das centenas de processos, com penas de ressarcimento e até privativas de liberdade, desaparecem aqueles “amigos”, que tudo aprovavam nos parlamentos e que nada deixavam investigar. Pior ainda quando parlamentares reeleitos votam para manter pareceres do Tribunal de Contas que rejeitaram as contas de prefeitos aos quais estavam “apaixonadamente” ligados em seus mandatos pretéritos.

Aí, meu amigo, Inês é morta. Que saibam os prefeitos que, na hora do cadafalso, não adiantará lamentos e murmúrios, irão sozinhos e os amigos de outrora estarão se esbaldando nas cadeiras de sempre, nos discursos de sempre e, com certeza, cruzarão calçadas para não ter que passarem ao lado de mortos vivos da política.

Portanto, prefeitos e prefeitas, se os amores de praia não sobem ao planalto, os de Carnaval não vão ao altar, salvo raras exceções. Cuidado, pois mandatos de executivos são finitos, só com uma reeleição e, mais cedo ou mais tarde, poderão ver seus amigos tornarem-se algozes. Afinal, o mundo gira enquanto a lusitana roda. Eu já castrei minha cachorra. Quanto aos senhores, mesmo que tivesse não daria conselhos, pois estão no “puder”, mas esse afrodisíaco tem conseqüências. Embora não seja profético, recomendo: cuidem-se.
Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Artigo - O Governador no mundo da lua

Assisti estarrecido à entrevista do governador Alberto Goldmam, ao programa do Paulo Schiff, nesta quarta feira 11 de agosto. Entre tantas asneiras, quando perguntado pelo jornalista sobre a ponte ligando Guarujá a Santos, primeiro desfilou uma série de informações que não batem com a realidade, principalmente quanto à altura da ponte, o que, aliás, não soube informar.

Mas, foi ao explicar a opção pela ponte que as coisas pioraram. Primeiro afirmou que um túnel ligando as duas cidades não serviria aos caminhões do porto, um verdadeiro absurdo, pois o que não serve é a ponte.

A propósito disto, na Câmara de Guarujá formamos uma Comissão de Vereadores e fomos ao Porto de Vitória e o que lá nos informaram é que por ter ocorrido acidente com caminhão, que ceifou três vidas, proibiu-se que fosse utilizada a ponte por estes, justamente o contrário do que diz o governador Goldmam.

Pior ainda quando afirmou que um túnel implicaria em uma ‘altura’ e foi corrigido pelo apresentador; que era inviável dado o calado dos navios que acessam o porto. Ora, será que um túnel a quarenta metros de profundidade impediria o acesso dos navios, cujos calados hoje passam pelo canal com menos de dezoito metros de profundidade? E, além do mais, todos somos sabedores dos impactos que os acessos da ponte provocarão, em seus quase três quilômetros em ambos os lados.

O ponto alto do desprezo a todos nós ainda viria, ao longo da entrevista. Foi quando o governador do estado referiu-se aos ciclistas em tom jocoso, dizendo que estes precisariam colocar suas bicicletas nos ombros para terem acesso à ponte.

Será que o governador sabe quantos milhares utilizam-se deste tipo de transporte? Será que o desprezo e a arrogância do governador lhes permitem entender que eles são cidadãos e que, na maioria das vezes, seu único meio de transporte é a bicicleta? Ou será uma visão emburrecida e aristocrática, que não o permite respeitar o povo?

No bloco seguinte, ele ainda desfilou sua condição de quarenta anos de mandatos na política paulista. Daí então compreendi como eles conseguiram assassinar a educação pública, perder o controle da segurança para o crime organizado, destruir o interior com uma política de penitenciarias em cidades distantes, com o crime organizado tendo-os sob seu jugo.

Só assim posso entender a sanha privatista que levou-nos a suportar um dos sistemas de pedágios mais caros do mundo. É por estas e outras que melhor seria que todos pudessem assistir ao programa e avaliar como são conduzidos os negócios do estado, na unidade mais rica da federação. Só me permite concluir que, das duas uma: ou não sabe o que fala (e aí deveria calar-se) ou vive no mundo da lua.
Luis Carlos Romazzini

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Artigo - Mimados da Vila

Não posso concordar com o titulo de novos meninos da vila, que muitos querem alcunhar ao atual time do Santos. Não posso, por justiça à memória do futebol brasileiro. Mesmo não torcendo para o Santos, não seria justo com aquele time que resgatou o futebol na era pós-Pelé. Um time que pude, na televisão de um bar de rodoviária lá no Mato Grosso, assistir aquela conquista para mim amarga, mas justa para o futebol.

O Santos de 1978 de uma culinária de Batata e Feijão, sob a batuta do Chef Juari. Moeram um timaço de Valdir Perez, Getulio “cara grande”, Muricy, Zé Sergio e companhia, numa final dramática com prorrogação e tudo, emoção que, agora, a ditadura das TVs não permite mais. Conheci naquele jogo a primeira amargura com meu tricolor, que pouco tempo antes derrotara o Atlético Mineiro no titulo nacional de 1977. Mas, chega de saudosismos.

Ao time de hoje, que pude ver jogar e golear meu São Paulo nas finais do ultimo paulista, ainda falta muito para ser brilhante, pois o futebol não se circunscreve apenas às quatro linhas. É muito mais que isto. É uma paixão e toda paixão tem reflexos na sociedade. De todos os astros, espera-se muitos mais que a nobreza da arte, mas a nobreza dos atos. Não que queiramos que sejam todos uma cópia de Madre Tereza de Calcutá, mas ao menos que se mantenham na média da moral coletiva, da civilidade e do respeito para com os valores mais comezinhos.

O time do Santos atual vem de percalços em percalços. O goleiro teve problema com doping num passado recente, o Ganso recusou-se a sair de campo em uma substituição, boa parte da equipe recentemente recusou-se a entrar em uma entidade de orientação espírita que cuida de crianças doentes, demonstrando um preconceito religioso inaceitável. Agora, o mundo todo vê pela internet o palavreado de fundo de penitenciaria dos jogadores santistas.

Um ponto que me chama atenção é a fala do goleiro Felipe que, ao responder a um internauta, diz que gasta mais em ração com seu cachorro, que o possível salário do torcedor. Pobre goleiro. São esses milhares de anônimos e assalariados que contam moedas para irem ao estádio, para comprarem os produtos do seu time e, por conseqüência, pagar seu salário, do qual parte gasta com ração para seu cachorro.

Alguns jogadores do Santos (não podemos culpar a instituição Santos Futebol Clube) não têm a mínima noção da responsabilidade de seus atos nem do alcance destes. Não imaginam quão maléficos e antipedagógicos são seus exemplos.

A situação demonstra que escolinhas podem formar e revelar astros precoces, mas falham (e muito) enquanto formadoras de homens com caráter. Aí sim, creio, reside o desafio de todos os dirigentes do futebol e não apenas dos dirigentes santistas. Pois, por enquanto, os que seriam meninos da vila são bebês que precisam usar fraldas, pelos motivos que todos sabemos. E, por certo, a história gloriosa do Santos e seus torcedores merecem muito mais respeito.
Luis Carlos Romazzini