quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Artigo - A morte do riso

O filme ‘O nome da rosa’ vem da obra de mesmo nome de Umberto Eco. Pela riqueza de detalhes, chego a crer ser um velho diário de memórias de algum religioso, daqueles que se acham nos baús empoeirados da historia, por tão cativante, que nos prende atenção do inicio ao fim.

O debate central do enredo é a diferença entre ordens religiosas, que descamba para a vida cotidiana e nada santa de alguns membros do mosteiro. Mas, é a visão satanizada do riso o que mais me chamou atenção. Pois bem. O tempo passou e no mundo real, quase que tragicômico em que vivemos, mais uma vez o riso esta no cadafalso, nestas eleições.

Refiro-me à legislação eleitoral que há muito esta liofilizando as campanhas, tornando-as quase que secretas. Com a desculpa de se cortar custos e baratear as campanhas, o que fazem é justamente o contrário. Tivemos a proibição de propaganda em postes, viadutos e similares, muito mais por estética e defensável poluição visual. Até ai tudo bem. Agora, com a nova lei e suas interpretações, um candidato não pode sequer adentrar a um shopping Center para deixar seus materiais.

Pior ainda quando se proíbe que humoristas possam exercer suas profissões, satirizando este ou aquele, como se este sepulcro do riso fosse a segurança de eleições puras e limpas, mas deixam que o pleito se transforme numa comédia sem limites, com candidaturas que o que mais fazem é zombar do próprio processo e das instituições.

É difícil aceitar que se proíbam programas como o ‘Casseta & Planeta’ e suas históricas piadas e se permitam registros de candidatos, cujas aparições são puras piadas e que, por certo, elegerão a si próprios e outros malandros que, queimados com o eleitorado, lançam mão de “inocentes úteis” que com os milhões de votos os levarão aos parlamentos sem que sejam aprovados pelo crivo do eleitor, pois o sistema proporcional possibilita isso.

Só para lembrar, o falecido Enéas conseguiu eleger partidários com menos de mil votos para representar nossos eleitores na Câmara Federal, num estado em que uma legenda de Deputado Federal deve passar de trezentos mil votos. Mas, de carona, entram aqueles que o eleitorado não colocaria nem para síndicos do Edifício Copam.

E, por conta da draconiana lei, sequer podemos colocar neste espaço democrático os casos concretos. Mas, estou seguro de que os leitores deste diário, por suas formações e grau de informação que possuem saberão identificar estes casos. O problema é que a grande massa nem sempre percebe que a chacota eleitoral poderá se tornar um choro de quatro longos anos.

Não que eu tenha por determinismo que os candidatos exóticos não possam ser bons parlamentares no futuro, mas o problema é o efeito colateral, tal e qual os rótulos das pingas, que dizem não trazer ressacas ou dores de cabeça (mas, experimente para ver).

Por enquanto, só nos resta acompanharmos o velório do riso e, em muitos casos, enxugar as lágrimas, partindo para outra eleição. É claro. Afinal, nunca deu certo esse hábito de proibir artistas, risos e tantas manifestações populares. E não será agora que dará.

Portanto, libertem o riso, libertem os sonhos, os poetas, os artistas. Libertem o voto dessa hipocrisia generalizada. Como disse o poeta, é proibido proibir.

Luis Carlos Romazzini é professor e vereador em Guarujá

Um comentário:

nilda disse...

Êu estou estarrecida com tanta irreverencia,as
campanhas estão d + até meninas seminuas em cima de carro de som se rebolando, som ensurdecedor,pessoas (eleitores)reclamando da falta de ética de alguns canditatos!fique tranquilo q o eleitor esta esperto, só alguns não prestam a devida atenção, a esses (espertalhões)Aguarde-nos! Vamos ter + surpresas nestas eleições.

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